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As estações do ano e a escola ensinando além das fronteiras

Muita gente me elogiou pelo texto sobre decolonizar o ensino das estações do ano. Fiquei bem feliz com a repercussão positiva e o que eu mais quero é que todos os professores se apropriem do conhecimento sobre a Natureza (Climatologia, Geologia, Botânica, etc) para despertar nos alunos uma conexão com o meio ambiente. Se entendermos nosso lugar no tempo e no espaço e como nossas ações afetam o local onde vivemos, poderemos sim falar em preservação ambiental na prática pois poderemos passar de uma consciência ingênua para uma consciência crítica em relação ao mundo que vivemos, como diria Paulo Freire.

Muitos pensadores da área de Educação falam da importância de conectar o que se aprende na escola com o que já sabe. Eu citei David Ausubel no texto anterior, mas Paulo Freire também trazia esse ponto para a discussão. A seleção dos conteúdos e o preparo da aula precisa ser pensado de modo que haja ancoragem do conhecimento novo no conhecimento já existente.

`Nós precisamos compreender primeiro aquilo que está em nosso entorno para depois expandir as nossas próprias fronteiras. Essa ideia já é presente em muitos materiais didáticos. Meu filho mais velho está no primeiro ano do Ensino Fundamental e ao observar seu material didático, percebi que ele começou a aprender sobre mapas. Ele precisou desenhar um mapa das ruas ao redor da escola e precisou descrever o trajeto que faz de casa até a escola. No material ainda é mencionado o Google Maps e o Waze e discute-se como esses serviços são usados no dia a dia. Não faria sentido chegar com um mapa-múndi para uma criança que ainda não conhece o conceito de escala e território. Ela precisa primeiro entender qual o objetivo de um mapa e como construir um, para se apropriar do conhecimento e ser autora também.

Depois que o aluno compreendeu como é o clima do lugar onde ele mora, poderá explorar os climas de outros lugares. Naturalmente, ele vai associar os climas de zonas temperadas com aquilo que ele já viu em produções estrangeiras (filmes de Natal onde tudo tem neve, filmes onde o outono é retratado, as tais férias de verão das crianças norte-americanas, etc). Talvez ele mesmo ou parentes e conhecidos já tenham viajado para algum desses lugares (cenário comum em escolas particulares). A conexão será feita dessa maneira.

Uma dica que uma professora do curso de licenciatura cansou de repetir nas aulas é: use fotografias. O aluno precisa aprender a ler e interpretar fotografias, gráficos, tabelas, etc. Recentemente vi uma sequência de fotos fantástica:

Fonte: kottke.org

A composição acima são 4 fotografias retratando as quatro estações do ano em uma ilha finlandesa chamada Kotisaari. No sentido horário, começando na linha de cima: primavera, verão, outono e inverno. As imagens são da fotógrafa finlandesa Jani Ylinampa (que faz um trabalho incrível, vejam os trabalhos dela clicando sobre o nome).  

Essa composição é um exemplo do que certamente ajuda o aluno a compreender uma realidade distinta da dele (aqui estou considerando um aluno de uma escola brasileira). A realidade finlandesa mostra uma área de transição entre Zona Temperada e Zona Polar, com estações do ano bem definidas.

Dessa maneira, a escola é lugar para aprender o que está ao redor e também para aprender o que está mais distante. Esse conteúdo precisa fazer sentido para o aluno, relacionando com informações que ele já conhecia e permitindo sua participação na construção do conhecimento. Quando uma professora de Geografia fala da importância de aprender sobre o clima do local onde você mora (como escrevi anteriormente), não significa que esse é o único conteúdo que deve ser selecionado para a aula. Significa apenas que precisamos dar os primeiros passos valorizando e compreendendo o que está ao nosso redor.

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