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La Niña e as chuvas no Brasil: o que esperar?

Já escrevi alguns posts sobre o El Niño aqui no blog e talvez esses posts tenham sido mais técnicos, de modo que talvez estudantes de Meteorologia ou de Geografia apreciem mais:

No entanto, o post que vou escrever hoje vai ser mais direto e ser focado no que estamos vivendo atualmente. Vamos falar rapidamente sobre a La Niña 2020/2021 e a La Niña 2021/2022 que tem sido muito comentadas nos meios de comunicação.

Uma outra face do fenômeno ENOS (El Niño Oscilação Sul), a La Niña é um fenômeno que causa preocupação para o Centro-Sul do Brasil porque geralmente deixa as chuvas da estação chuvosa abaixo da média climatológica. E nós precisamos de muitas chuvas na estação chuvosa (ou seja, que ela seja na média ou acima da média) para que os reservatórios fiquem cheios para que assim não falte água e a energia elétrica não fique cara. Lembrando que é no Centro-Sul do Brasil onde estão localizadas a maior parte das hidrelétricas. Se as hidrelétricas não gerarem energia o suficiente, as termoelétricas precisam ser acionadas, o que na prática significa energia elétrica mais cara.

É preciso lembrar que um episódio de La Niña é diferente do outro. Apesar de termos características semelhantes, um evento pode ser mais forte que o outro. Geralmente, quando falamos em La Ninã, temos:

  • Estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
  • Aumento da intensidade das chuvas na Região Norte e na Região Nordeste.

A La Niña 2020/2021 foi considerado um evento intenso e provocou:

  • Chuvas abaixo da média no Centro-Sul do Brasil;
  • Chuvas no Norte um pouco acima da média
  • Chuvas no Nordeste: dentro da média histórica

As previsões climáticas para La Niña 2021/2022:

  • Chuvas na Região Norte/Nordeste acima da média
  • Chuvas na Região Sul abaixo da média
  • Chuvas no Sudeste e Centro-Oeste: ainda indefinido (provavelmente na média ou abaixo dela)

É importante destacar que não foi ainda identificado um padrão (um ano de La Niña, depois um ano de El Niño, depois um ano neutro, etc). Como exemplo, tivemos duas La Niña em sequência e isso já tinha acontecido antes (1998/1999 e 1999/2000), assim como também já tivemos dois El Niño em anos seguidos (2010/2011 e 2011/2012).

O gráfico a seguir mostra uma série desde 1990 mostrando a ocorrência de El Niño e La Niña. Quando o ONI (Oceanic Niño Index) está muito próximo de zero, falamos em anos neutros. O gráfico é da Golden Gate Weather Services, usando dados da NOAA como base.

Portanto, a La Niña não é um fenômeno interessante para o Brasil do ponto de vista de disponibilidade de água. Inclusive escrevi recentemente um texto sobre os tipos de seca e sobre a situação do Brasil (leia aqui). Ter duas La Niña na sequência agravou a situação de seca que já estávamos vivendo, levando ao quadro de seca hidrológica.

Para saber mais sobre as consequências da seca prolongada no país. ouçam o episódio #461 do SciCast, do qual participei ao lado de uma equipe multidisciplinar. O objetivo foi traçar um quadro da seca no país e suas implicações na geração de energia e na economia.

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3 Comentários

  1. Poxa, que bom que gostou 🙂
    Foi um episódio muito necessário e gostoso de fazer.

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