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Criar um código não te torna uma cientista melhor

Outro dia, refleti sobre uma situação da vida acadêmica. Vou adaptar a história, criando um exemplo de um novo problema a ser resolvido, para não expor nenhum envolvido, mas ainda assim creio que vou conseguir demonstrar minha conclusão.

Vamos supor que você tenha que fazer um trabalho grande e que você decide dividir esse trabalho grande em trabalhos menores para gerenciar melhor suas atividade, delegar tarefas quando for o caso e estabelecer prioridades. Um desses trabalhos menores consiste em determinar a distância entre dois pontos, A e B. Veja bem, determinar a distância entre os pontos A e B não é o objetivo de seu trabalho, mas você precisa fazer isso para alcançar os degraus necessários que levam a atingir esse objetivo.

Então, você decide criar um programa em Python (ou qualquer outra linguagem de programação, não seguimos religiões organizadas aqui nesse blog). Esse programa é relativamente fácil de fazer, você sabe programar, pegou dicas no Stack Overflow, pediu pra uma IA generativa te ajudar, enfim, você foi lá e fez o código.

Porém outro colega de outro grupo que está trabalhando em algo igual ou parecido simplesmente decide usar um applet de um site para realizar esse cálculo da distância entre dois pontos. O resultado dá certinho, não tem problema algum, ele fez alguns testes. Esse colega não gosta mesmo de programar, mas ele sabe o que está fazendo, não acha que o aplicativo é uma caixa mágica ou algo assim, ou seja, ele sabe usar o que já existe de maneira crítica. Em outras palavras, ele sabe como funciona, só não quer fazer um código pra isso porque não gosta, não sabe, está sem tempo ou sei lá.

Nesse cenário que descrevi, você é um aluno melhor do que o que decidiu usar o applet já pronto? Minha opinião é que não. Os dois atingiram o mesmo objetivo e os dois sabem o que estão fazendo. Até porquê, hoje em dia tem muita gente que pede pra IA gerar um código e nem entende muito bem o que está codificado.

Codificar do zero não te torna melhor do que ninguém. Nesse caso específico que descrevi, se você não sabe programar e sei lá, precisa calcular as distâncias entre somente 4 pares de pontos, talvez fazer um código só pra isso demore mais do que simplesmente usar um aplicativo que já faz. Creio que sim, codificar ajuda a desenvolver seu pensamento computacional. Por outro lado, saber usar algo que já está pronto não é nenhum demérito. Carpinteiros geralmente não fazem o próprio serrote, alguns podem melhorar as ferramentas que já tem e até adaptá-las para seu próprio uso. Alguns podem pedir ajuda de outros carpinteiros. Eu acredito que com computação o caminho é mais ou menos essa a ideia também.

Imagem que abre o texto: Image by StockSnap from Pixabay

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