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Mostrando vulnerabilidade

Hoje vou contar uma história que mostra que as pessoas nem sempre pedem ajuda quando precisam. Muito pelo contrário: algumas pessoas mandam mensagens completamente opostas, sinalizando que não precisam de ajuda. Às vezes eu sou assim, mas já fui muito mais. Fui muito cobrada a me virar sozinha, desde muito cedo e isso nem sempre deu bom…

Hoje eu me sinto muito mais madura e consciente, pedindo ajuda, cultivando bons relacionamentos com pessoas que podem me ajudar e que também podem contar comigo quando precisarem.

Vamos contar a história.

Certa vez, conheci uma moça chamada Laura. O nome não é Laura, mas vamos fazer de conta que seja. Um dia encontrei Laura em uma das salas de espera dessa vida de meu Deus e ela me cumprimentou, disse que estava investindo em si mesma, com diversos procedimentos estéticos e cuidados com a saúde, afinal de contas ela não tinha filhos e tinha mesmo que investir em si. Apoiei, disse que estava certa de fazer isso, ela sabia que eu tenho filhos mas não me senti afetada com o comentário dela.

Noutra ocasião, Laura encontrou minha amiga Sheila. O nome dela não é Sheila, mas vamos fazer de conta que seja. Sheila tinha acabado de se mudar para uma cidade nova e Laura, que já tinha passado por situação parecida, aconselhava Sheila a encontrar logo um namorado, pois ela não deveria ficar sozinha na nova cidade. Sheila, que estava solteira há anos, riu e não se sentiu afetada pela observação.

Um dia Laura acusou alguns colegas de machismo. Os colegas apontaram educadamente que ela poderia ter se enganado, mas sabe como é homem. Algumas pessoas concordaram com Laura, outras não. Tudo foi resolvido de maneira educada, Laura ficou o rótulo de defensora dos direitos das mulheres, ao menos nesse grupo social.

Passa um tempo. Pouco tempo.

Laura teve que fugir de casa e com a ajuda do vizinho, a casa precisou ser arrombada. Uma situação terrível. Ela estava sendo vítima de cárcere privado, seu namorado (o que ela conheceu na nova cidade) estava lhe ameaçando, rolou agressão, uma tragédia. Soube-se que ela sofria violência patrimonial, o cara queria pegar todo salário dela, um horror. Ela teve prejuízos no trabalho por conta dessa situação, precisou ser transferida e ainda teve sorte de sair dessa situação com vida.

Pois é, a Laura empoderada que queria investir em si mesma (mas sofria violência patrimonial), que aconselhou a outra a arrumar namorado logo (Laura arrumou um namorado e foi agredida), que acusou colegas de machismo, etc. Ela passou sinais completamente opostos, por isso muita gente ficou surpresa quando soube de tudo o que ela passava.

Vez ou outra penso em Laura e espero que ela esteja bem. Também penso na história dela como um alerta. Devemos expor nossas vulnerabilidades para pessoas que possamos confiar. Ela quase perdeu a vida por transmitir essa ideia de mulher dona de si e fodona. Felizmente, no momento mais difícil, teve gente que conseguiu ajudá-la.

Essa história já tem bastante tempo e Laura provavelmente nem lê meu blog. Espero que outras Lauras leiam meu blog e reflitam sobre isso. Cultive boas amizades femininas, cultive bons relacionamentos com sua família e com seus vizinhos. Monte uma rede de apoio e não tenha vergonha de pedir ajuda, sobre qualquer assunto. Eu atormento minhas amigas e primas toda semana com alguma loucura da minha mente. Dividimos experiências e ideias, nos ajudamos, rimos e choramos juntas. Acho que é assim que a vida funciona: em redes, nós precisamos nos ajudar.

Imagem que abre o post: Image by Nicky ❤️🌿🐞🌿❤️ from Pixabay

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