Meteorologista entrevistada
O repórter Claudio Leyria me procurou para que eu pudesse falar um pouco sobre a carreira de Meteorologia. A entrevista foi publicada na Revista Leia Agora, que é do Sistema de Ensino Poliedro. As perguntas que ele fez foram muito boas e ele me autorizou para que eu pudesse divulgar a entrevista aqui no Meteorópole também.
Então vamos conhecer um pouco mais sobre a carreira de Meteorologia do ponto de vista de uma profissional que atuou um pouco na área de previsão, muitos anos na área de observações meteorológicas e muitos anos na área de divulgação científica através de palestras, textos e podcasts.

1 – Quais devem ser os interesses de quem pensa em cursar Meteorologia?
O perfil de quem deseja estudar Meteorologia é o de uma pessoa que gosta da área de exatas. Mas não é apenas isso: tem que ser uma pessoa curiosa e que gosta de compreender como os fenômenos atmosféricos ocorrem.
2 – O que é estudado no curso superior? Quantos anos de curso?
O tempo regular do curso varia de 4-5 anos. Nós primeiro aprendemos matérias da área de Matemática (Cálculo), Física, Programação, Mecânica dos Fluidos e Química. Essas matérias vão servir como ferramentas para as matérias específicas da área: Dinâmica da Atmosfera, Física da Atmosfera, Meteorologia Sinótica, Previsão do Tempo, Meteorologia por Satélite, Hidrologia, etc.
Por isso dizemos que Meteorologia é a Física aplicada à atmosfera: aprendemos como as Leis da Física são aplicadas para compreendermos os fenômenos meteorológicos.
3 – Quais são as áreas de atuação e as principais possibilidades de especialização para quem opta por essa carreira?
Um meteorologista formado possui registro no CREA, assim como Agrônomos, Arquitetos e Engenheiros das mais diversas áreas. Isso é importante ressaltar porque isso protege nossa profissão, já que há atribuições profissionais que apenas Meteorologistas podem fazer: trabalhar com previsão do tempo, gerenciamento de Estações Meteorológicas, coordenar atividades relacionadas a previsão do tempo e clima de modo geral, etc.
Além dessas áreas, há meteorologistas que se especializam na área de energias renováveis, há profissionais que continuam na área acadêmica (fazem Mestrado e Doutorado) e assim tornam-se docentes pesquisadores e há até profissionais trabalhando na área de análise de risco ou programação, já que muitas das ferramentas que aprendemos podem ser úteis em outras áreas.
4 – Como ingressar no mercado de trabalho? Durante ou após o curso, o estudante precisa participar de estágios?
O estágio obrigatório vai depender das normas de cada instituição de ensino. No entanto, há sim a possibilidade de fazer um estágio mesmo que esse não seja obrigatório. Inclusive, como profissional, recomendo isso para aqueles que desejam se aventurar por essa área. Como em muitas Universidades é o próprio aluno que monta sua grade horária, pode fazer isso para conciliar com um estágio. Além disso, hoje em dia há a possibilidade de trabalhar remotamente em várias empresas e muitos professores trabalham em projetos onde alunos podem ser selecionados para trabalharem com eles, mediante o pagamento de bolsas.
Para ingressar no mercado de trabalho é necessário estar de olho no que o mercado procura, já que isso pode mudar de tempos em tempos. Sempre é importante manter contato com profissionais formados e montar uma rede de colegas.
5 – Quais as funções que um meteorologista pode desempenhar, além de atuar na previsão do tempo?
Um meteorologista pode atuar no desenvolvimento de modelos meteorológicos (programas de computador que fazem os cálculos relacionados com a previsão do tempo), pode atuar no controle de qualidade da previsão do tempo, pode atuar no gerenciamento de bancos de dados meteorológicos, pode atuar no ensino e na pesquisa, pode trabalhar em empresas da área de geração de energia elétrica, etc. São muitas possibilidades, já que a formação do profissional é bastante ampla. Por isso é necessário sempre manter a mente aberta em busca de oportunidades.
6 – O campo de trabalho fica restrito aos centros de previsão de tempo e estudos climáticos, ou há outros nichos de atuação?
Há outros nichos, como empresas de geração e comercialização de energia elétrica, por exemplo.
7 – Há nesta carreira algum tipo de concorrência desleal. Por exemplo, profissionais de outras áreas podem ser contratados para desempenhar funções na área de meteorologia?
Infelizmente isso ocorre, mesmo com a nossa profissão sendo regulamentada pelo CREA. Alguns empregadores, por desconhecerem o curso de Bacharelado em Meteorologia, pensam que Engenheiros ou Geógrafos podem realizar nosso trabalho. Isso é muito equivocado e acredito que isso vem mudando.
8 – Como o profissional deve se comportar diante das mudanças climáticas que são observadas no planeta? Há algo que ele possa fazer além de produzir relatórios e traçar tendências históricas, como por exemplo, emitir alertas de situações graves? (corrija-me se não estou perguntando corretamente)
Nem todo meteorologista atua na área de mudanças climáticas, só que é muito importante que o profissional esteja alinhado com a comunidade científica. Ou seja, as mudanças climáticas são um consenso no meio científico e penso que um meteorologista precisa estar por dentro dos últimos relatórios do IPCC e das últimas pesquisas na área. Mesmo que o profissional não atue na área de previsão climática, precisa sempre se lembrar que teve uma formação científica que o fez ser naturalmente um divulgador científico: afinal de contas, as conversas sempre começam com perguntas sobre o tempo.
9 – Quais os desafios e as perspectivas do mercado de trabalho para os profissionais nessa área considerando tecnologias que se desenvolvem rapidamente? É possível absorver novos conhecimentos no local de trabalho, se inteirando do funcionamento de novos softwares e novas metodologias?
Em alguns locais de trabalho, há essa preocupação com a atualização do profissional, que sempre tem contato com novas tecnologias através de cursos e workshops. Em outros locais, talvez não haja essa preocupação. Creio que cabe muito ao profissional sempre buscar se atualizar e se informar, conversando com colegas e lendo sobre novidades e pesquisas da área não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Gostaria de agradecer ao Claudio pelo contato e pelas excelentes perguntas. Além disso, ele me contatou depois da entrevista e autorizou sua publicação aqui no blog. Também me mandou um arquivo em .pdf da revista, para que eu pudesse conhecer o excelente trabalho que eles realizam, informando alunos das escolas do Sistema Poliedro.
Radar Meteorópole
- No último fim de semana teve neve em várias cidades da Região Sul do Brasil e o frio também chegou na Região Sudeste, sul da Região Norte, Região Centro-Oeste e sul da Região Nordeste. Claro, quando falo aqui de frio a gente fala de temperaturas baixas comparadas com o usual de cada uma dessas regiões. Falei bastante de neve lá no meu perfil do Twitter e o Edison Veiga me procurou para falar sobre a suposta ocorrência de neve em São Paulo-SP no ano de 1918. A matéria saiu na BBC em Português e ficou excelente, parabéns Edison! Confira aqui.
- E o post onde falo sobre esse suposto caso de neve na São Paulo antiga é esse. Entenda se nevou ou não: o que dizem os dados meteorológicos?
- Já ouviu falar dos apps de identificação de plantas? Então, eles não funcionam muito bem e o @matosdecomer falou sobre isso aqui.
- Eu falei sobre esses apps por aqui também.
- Siga-me lá no Twitter, onde interajo bastante.
- Lembra do meu post em que basicamente eu dizia que estava de saco cheio das redes sociais ? Então, o leitor Nemo mandou um vídeo da Ruth Manus que tem tudo a ver com o que eu quis transmitir. Obrigada, Nemo!

Parabéns pelas entrevistas! Já tinha lido a da BBC e fiquei muito feliz em ver seu nome por lá e o do prof Mario Festa
Obrigada! Foi uma honra, eu já tinha sido ouvida por esse repórter em outra ocasião, fiquei feliz que ele lembrou de mim!