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O que é falácia formal?

Outro dia ouvi uma mãe que tem um número grande de seguidores opinar que a sociedade prejudica o trabalho feminino ao não possibilitar escolas públicas em tempo integral para todos, ao dificultar o acesso à creches em diversos lugares e ao permitir que as férias escolares sejam muito longas e incompatíveis com a duração das férias dos pais. São observações muito pertinentes, mas um dos comentários em particular chamou minha atenção.

O comentarista dizia que as professoras também merecem férias e não seria justo fazê-las trabalhar tanto. Juro que em nenhum momento essa mãe disse que professoras não devem descansar. O nome do raciocínio feito pelo comentarista é falácia formal e ocorre quando digo que gosto de chocolate amargo e as pessoas entendem que eu odeio chocolate branco.

Vocês percebem como esse tipo de raciocínio equivocado ocorre todos os dias? Por conta disso muitas vezes somos obrigados a escrever textos longos, repetitivos e cansativos, explicando que apesar de amar chocolate amargo, não temos nada contra o chocolate branco ou contra quem o aprecia e também precisamos acrescentar que não odiamos chocolate colorido e que o chocolate ao leite tem seu encanto e sabor. Além disso, o chocolate de modelar é um importante avanço tecnológico e nem precisamos mencionar os prazeres e delícias de chocolates saborizados.

No caso da mãe que mencionei, depois ela se explicou dizendo que não era nada daquilo que o comentarista sugeria. Ela deu alguns exemplos de possíveis soluções, como propor que mães e pais tenham horários mais flexíveis de trabalho durante as férias escolares. Quando o comentarista sugeriu que ela não se importava com o trabalho das professoras, eu entendo que nesse momento ele quis transmitir uma superioridade moral pois não me pareceu se tratar de apenas advogar pela causa dos educadores, já que muitas professoras também são mães.

Não tenho dúvidas de que alguns espaços virtuais se tornaram tão tóxicos que frequentemente a discussão acaba na disputa de quem é mais santo ou mais perfeito. Chega a um ponto no qual questiono se a falácia formal ocorre somente por um raciocínio equivocado ou se é um artifício para se apresentar como portador de uma superioridade moral. Será?

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