Por que eu gosto tanto de assistir utopias?

A palavra utopia costuma ser utilizada para descrever uma sociedade imaginária que possuiria qualidades altamente desejáveis ou quase perfeitas para os seus cidadãos. Aparentemente, esse termo teria aparecido pela primeira vez em um romance de Sir Thomas More, escrito no século XVI.
Existem utopias na literatura e no cinema. Eu sempre destaco a franquia Star Trek, principalmente no que se refere a TOS, TNG, DS9 e VOY. Apesar da Federação encontrar todo tipo de problemas pela galáxia, o planeta Terra tornou-se um lugar muito bom para viver. A humanidade superou todos os problemas advindos da ganância e da desigualdade social, surpreendendo até Mark Twain quando quase que acidentalmente acaba conhecendo a USS Enterprise (episódio Time’s Arrow, de TNG).
Fica fácil imaginar que se a humanidade superasse a ganância, os problemas ambientais estariam em curso de serem resolvidos também. Nós exploraríamos menos petróleo (ou talvez até nenhum), usaríamos água para o que realmente importa (consumo humano e produção sustentável de alimentos) e usaríamos o solo e outros recursos minerais de maneira justa. Na franquia Star Trek, o conhecimento científico é utilizado para beneficiar toda a humanidade sem qualquer distinção, tornando a vida mais saudável, mais longeva e com mais propósito. Não é incomum vermos personagens idosos participando ativamente da vida na Terra e atuando em novos projetos (episódio Family, de TNG).
Olhando ao redor e observando a vida real, vejo o quanto as coisas pregadas em Star Trek parecem, muitas vezes, muito distantes. Sempre que leio a notícia de algum avanço científico no campo da medicina, por exemplo, fico pensando que poucos terão acesso aos seus benefícios. Os Large Language Models (LLM), que se vendem como tão promissores para ajudarem os seres humanos em suas tarefas (não são, há muita especulação financeira), dependem de servidores com grande capacidade de processamento que gastam muita eletricidade e água para resfriamento. A ganância humana parece estar sempre vencendo.
Quando leio notícias sobre mudanças climáticas e guerras, já sei que os mais atingidos são os pobres, mulheres e crianças de países da periferia do capitalismo. Cada dia que passa, um sentimento extremamente pessimista toma conta de mim e fica difícil acreditar que um dia poderíamos ter um planeta como retratado em Star Trek.
Eu gosto de utopias porque o mundo real me assombra. Acredito que elas são uma oportunidade de escapismo, uma chance de esperança depois de um dia difícil.
