Tirando um tempo só para fofocar com as amigas

Afirmo como pessoa que foi socializada como mulher, então não posso e nem quero falar pelos homens: precisamos umas das outras.
Eu lembro de minha mãe falando com uma de suas melhores amigas, que calha também de morar na mesma rua. Elas se encontram na calçada, ficam papeando na porta de casa, no quintal e aproveitam para falar das plantas, de comida, de remédio natural, de igreja e etc. Hoje elas tem o WhatsApp uma da outra, mas é sempre aquela coisa tradicional de se encontrarem para trocarem mudas de plantas e informações sobre a vizinhança.
Bom, eu tenho minhas amigas em São Paulo e também tenho amigas em Monte Carmelo. Sempre que a gente pode, combinamos um rolê em um café ou para tomar um drink. São momentos tão gostosos! O papo de nosso último encontro, no domingo, foi muito bom. Aprendi sobre o que é psicanálise e sobre o que não é psicanalise e essa segunda parte é especialmente importante porque falamos especialmente de uma suposta charlatã dessa área, com vários seguidores nas redes sociais. Outra amiga falou de seu novo trabalho e das adaptações necessárias nesse novo ambiente, experiências que todas nós vivemos e as coisas ficam melhor quando podemos compartilhar.
Falamos também de marketing e educação emocional. Foi um papo totalmente diferente do que vivencio em minha profissão e em minha pesquisa, já que trabalho com dados geoespaciais (especialmente dados meteorológicos) e produtos geodésicos. Acho muito bom ter a oportunidade de ter papos gostosos sobre outras áreas também, conhecer outras vivências e saber mais sobre o trabalho de minhas amigas.
Meu contexto é diferente do de minha mãe e sua amiga. As duas sempre foram donas de casa que trabalham somente em casa, cuidando sozinhas da casa e dos filhos. Eu cuido dos meus filhos e também tenho minha carreira acadêmica e minhas ambições fora de casa. Para isso funcionar, meu companheiro tem que dividir comigo as tarefas de casa e os cuidados com as crianças. Minha mãe e amiga dela não vivem essa mesma realidade com seus companheiros. Compreender esse ajuste e perceber que minha realidade é diferente da de minha mãe é uma “quebra” geracional, sem dúvidas. No entanto, tanto as mulheres da geração de minha mãe quanto as de minha geração (e as que vieram antes e as que virão) tem algo em comum: precisamos umas das outras. Precisamos compartilhar conselhos, vivências, lutas e desabafos. Tão bom podermos desfrutar dessas companhias.
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Antes que digam que fofocar é simplesmente falar da vida dos outros (o que a gente faz também), sugiro que pesquisem sobre a história toda, porque é muito interessante. O próprio termo gossip (fofoca, em inglês) significava uma companheira ou grupo de amigas. Fofocar não indica obrigatoriamente indiscrição ou espalhamento de boatos ;).
