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Seja seu próprio algoritmo

Em primeiro lugar, acho importante definir a palavra algoritmo. Em minhas aulas de Introdução à Computação, lembro de aprender que algoritmo era uma sequência finita de ações com o objetivo de resolver um determinado problema. Para quem quiser saber mais, essa é a definição destacada pela Wikipedia (com referências e tudo o mais).

Nesse sentido, posso por exemplo ter uma receita de bolo. Eu listo todos os ingredientes e depois explico, passo a passo, o que preciso fazer até ter o bolo pronto. Isso pode ser separado por etapas: bater as claras em neve, peneirar a farinha, untar a forma, pré-aquecer o forno, colocar para assar numa determinada temperatura, etc. Observe, há várias ações que precisam ser realizadas em uma sequência ordenada e específica para que o bolo esteja pronto na minha mesa com uma xícara de chá.

Isso é um algoritmo. Transportando essa definição para a computação, seriam todos os passos que você precisa dar para resolver um problema. Vamos supor que você precisa criar um programa que vai ler uma tabela de dados, calcular média e desvio padrão. Então você vai primeiro precisar ler o arquivo, salvar as colunas desse arquivo em uma matriz, talvez precise fazer um controle de qualidade dos dados dessas colunas, depois você vai calcular a média e o desvio padrão. Esse é o algoritmo para este objetivo!

No entanto, ultimamente estamos usando a palavra algoritmo no sentido de “o algoritmo do youtube” ou “o algoritmo das redes sociais”, quero dizer, como a maneira que as redes sociais te indicam um conteúdo personalizado para seu perfil. Ou seja, os shorts do Youtube ou os reels do Instagram são selecionados de acordo com seu perfil. Esse perfil é montado com base naquilo que você busca no Google, nas compras que você realizou, nos app que você tem instalados, na sua idade, no seu gênero, se você tem ou não filhos, contas que você já segue e com as quais mais interage, etc. Há algoritmos computacionais (como o que defini no parágrafo anterior) que fazem vários cálculos estatísticos e probabilísticos para te recomendar um conteúdo. Por essa razão, as pessoas simplesmente falam “ah, o algoritmo recomendou tal conteúdo para mim” sem muitas vezes darem-se conta do que de fato é um algoritmo.

Vocês, como eu, devem receber várias recomendações de vídeos ou contas pra seguir. Dessa maneira, o que você gosta, o que você quer pesquisar, o que você quer comprar, ou seja, todos os seus interesses podem passar a ser determinados pelos algoritmos das redes sociais. Suas subjetividades passam a ser controladas por algoritmos! Será que você quer isso? Eu concluí que não quero, de modo que há alguns meses passei a ser mais intencional em minha busca por conteúdo. Tenho usado o Startpage para a maioria de minhas buscas e tenho deixado o Google (especificamente o Google Scholar) somente para buscas acadêmicas. Se eu quero comprar algo, uso um navegador que me permita ser anônima para fazer as buscas de preços e disponibilidade do produto. Tenho evitado usar o celular para fazer compras, prefiro usar o navegador do que um app de uma loja. Bom, usar o celular para compras sempre foi algo que eu tenho dificuldade, acho que é uma coisa millenial.

Eu quero me surpreender. Quero fazer o que meu cérebro quer fazer. Quero ler livros que não estão na moda. Quero ver filmes que por alguma razão acabei descobrindo ao pesquisar a filmografia de determinado diretor/ator. Eu quero direcionar minhas pesquisas por minha conta ou pelo menos com uma interferência mínima dos algoritmos.

Imagem que abre o post: Imagem de Maddy Mazur por Pixabay

P.S.: Recomendo também esse vídeo muito interessante, indicado pelo meu marido, que também discute o consumo intencional de conteúdo.

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2 Comentários

  1. Eu estou fazendo isso há algum tempo já. Uso o DDG pra pesquisa tem uns 5 anos já, Google só para compras, sempre na aba anônima. No Youtube desativei o histórico, então só vejo os canais no qual estou inscrito. Eu fiz isso, na verdade, para tentar reduzir o consumo de telas, como uma reeducação, mas acaba servindo os dois propósitos.

  2. Ótimo recurso esse do histórico do YT. Também reduzi o consumo, somente para canais nos quais sou inscrita. Concordo totalmente, serve para os dois propósitos.
    Obrigada pela visita e pelas dicas 🙂

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