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O índice de calor que varia de 1 até 5

Em meu último post eu alertei jornalistas e outros comunicadores sobre o uso do índice de calor, depois que notícias com tom sensacionalista falavam em sensação térmica de 70ºC. Estamos vivendo dias muito difíceis de calor extremo em quase todo Brasil, mas precisamos ter cuidado com a informação. Ela deve ser precisa e direta, com explicações pautadas no conhecimento científico. Nem preciso dizer que é completamente inconcebível aproveitar a situação para criar manchetes caça-cliques, mas infelizmente é isso acontece com muita frequência.

Nos últimos dias eu tenho visto o uso de uma outra proposta de índice de calor. É um índice adimensional (ou seja, um número apenas, sem uma unidade), que me lembrou muito o Índice UV. Nessa proposta de índice de calor, os valores vão de 1 a 5 e tem os seguintes significados:

Calor 1: Neste primeiro nível, não há previsão de altos índices de calor. A cidade continua com sua rotina normal

Calor 2: Quando há previsão ou registro de altos índices de calor (36°C a 40°C) por um ou dois dias consecutivos

Calor 3: Acontece quando há registro de índices de calor alto altas (36°C a 40°C) com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos.

Calor 4: Quando há registro de índice de calor muito alto, ou seja, de 40°C a 44°C, com previsão de permanência ou aumento por ao menos três dias consecutivos.

Calor 5 (mais alto): Quando houver registro de índices de calor muito alto (40°C a 44°C) com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos.

Fonte: Agência Brasil / COR-Rio

Esses índices tem sido usados pelo Centro de Operações e Resiliência (COR), do Rio de Janeiro, para informar a população do estado. A Agência Brasil escreveu uma ótima matéria sobre o assunto, mencionando também algumas medidas que podem ser adotadas para minimizar os efeitos do calor extremo. O G1 também falou sobre o assunto.

Eu falei um pouco de calor extremo nesse post, onde também falo dos efeitos da baixa umidade relativa na saúde. Nesse post lá dos primórdios do blog, falo da Meteorologia e sua relação com a saúde.

Como esses índices adimensionais de 1-5 são obtidos?

Observe que o texto do quadro que destaquei anteriormente fala em índice de calor e não de temperatura. Ocorre que é necessário primeiro consultar a tabela abaixo, conhecendo a temperatura e a umidade relativa:

Após consultar essa tabela você tem acesso ao índice de calor. Com esse valor, então consulta-se as faixas dos índices adimensionais de 1-5.

Por exemplo, se a temperatura for 35ºC e a umidade relativa for 50%, o índice de calor será 42ºC (veja a setinha no exemplo da figura anterior). Lembrando que tanto umidade relativa quanto temperatura podem ser medidos com instrumentos meteorológicos e também podem ser previstos, usando modelos meteorológicos. Bom, com esses 42ºC em mãos consultamos a tabela do COR-Rio e chegamos em Índice 4 (se a condição se repetir por 3 dias seguidos, em algum momento de cada um desses dias). Assim, a tabela do COR-Rio não usa diretamente a temperatura, mas sim o índice de calor (que considera temperatura e umidade relativa).

Portanto, o índice de calor usual (que foi o que discuti no post anterior) está embutido nesse índice adimensional, que particularmente achei excelente para comunicar a população. Creio que podem ser usadas faixas de calor, variando do verde até o vermelho além dos números de 1-5, o que ajuda ainda mais na transmissão da informação de maneira precisa e direta.

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