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Desinstalei todos os app de redes sociais do meu celular

Cortesia de Pixabay

Uma das redes sociais onde sou muito ativa é o Twitter. Gosto de receber links de notícias por lá, em geral as pessoas sempre me marcam ou indicam bons conteúdos e várias coisas que escrevem ou compartilham por lá já me inspiraram a escrever alguns posts que na minha opinião ficaram muito bons ou ao menos me ajudaram a aprender, repensar minhas opiniões e pontos de vista.

Ocorre que estamos em ano de eleições. E as pessoas estão descontentes com o país. Não é para menos: falando um pouco da área de Ciências, é provável que quase 200 mil bolsistas da CAPES ficarão sem bolsa ano que vem. Claro que eu fico revoltada e o brasileiro médio nunca gostou de Ciências mesmo (ou entendeu a importância das pesquisas científicas ). E eu já ouvi algumas vezes, por parte de pessoas nada esclarecidas, que bolsistas são “vagabundos sustentados pelo governo”.

Bom, esse exemplo das bolsas é apenas para mostrar que eu também estou descontente e esse é apenas UM exemplo que eu poderia dar. Há também os cortes (e ameaças de cortes) nos orçamentos de Saúde e Educação também, por exemplo. Temos a bancada evangélica e outros conservadores contribuindo para a ignorância científica e prejudicando o ensino com observações e projetos sem nenhum sentido que são facilmente desconstruídos por especialistas da Educação  (também falei sobre o Escola Sem Partido nesse post).E não é de agora que a imprensa má intencionada ataca o Ensino e a Pesquisa (veja aqui, por exemplo).

A comunidade científica também não é nenhuma simples vítima na história. O leitor Schuch me indicou um ótimo vídeo recentemente, onde a Natalia Pasternak fala como alguns erros e negligências da comunidade científica podem ter contribuído para o espalhamento de anticiência e pseudociência. Além disso, claro que há más práticas na pesquisa científica, que sempre precisam ser denunciadas. A Revista FAPESP, por exemplo, que é muito circulada no meio acadêmico e é um meio de divulgação científica, sempre se dedica a falar sobre essas más práticas e de certo modo ajuda a educar os cientistas.

Como vocês podem perceber, falei de uma área que me interessa e que me atinge direta e indiretamente. Se formos realmente colocar no papel, vamos ver que isso afeta a todos. O Brasil continua atrás, importando tecnologia e exportando cientistas. Sim, vários colegas e conhecidos meus já foram embora do país, sem intenção de retornar. Imagine o que é amar uma área do conhecimento e não ter condições de desenvolvê-la plenamente em seu país, além de ser desrespeitado e até chamado de “vagabundo” por alguns. Pois então, eles preferem procurar emprego em outros países, onde serão respeitados e valorizados.

Fiz essa enorme divergência no meu texto – para desabafar com vocês e explicar para aqueles que não estão por dentro do assunto -, mas a questão é que essas discussões sobre política estão me irritando. O que me irrita principalmente são os extremismos, gente que adota um político de estimação e o preza e o defende mais do que a própria família, se duvidar. Há extremismos tanto por parte da esquerda quanto da direita. Eu me sinto muito mal ao ver tanta baixaria nas discussões sobre política. Claro que há que fale do assunto com lucidez, cobrando posturas e argumentos diretos por parte dos candidatos. Há muita gente esclarecida, que está escrevendo coisas boas que ajudam as pessoas a tomarem decisões. Um exemplo muito bacana é o @nadanovonofront, que é um cara muito esclarecido e que utiliza argumentos muito bem pontuados e educados. Só que daí você cai na tentação de ver alguns replies  e alguns comentários (não apenas nesse perfil em especial, mas em tantos outros) e você fica meio desgostosa com a vida. Como pode ter gente com tanto ódio, tanta raiva e tanto tempo livre para ficar xingando, ofendendo, delirando, falando sobre o que não sabe, etc?

Eu não aguento mais! Eu já disse para vocês que eu silenciei alguns termos que não me interessam, como o programa Big Brother, por exemplo. Não gosto de acompanhar, então simplesmente não acompanho. Não fico xingando, criando confusão e falando “ah, mas vocês só falam disso”. Eu simplesmente silencio e até cheguei a usar a extensão Sai Biscoito para dar uma “limpada” na timeline do Twitter (obrigada pela dica, @wellpereti). Só que me parece impossível silenciar tudo o que é relacionado à política nesse momento. Eu percebo as pessoas nervosas, muito chateadas e até raivosas (falei sobre isso nesse post). E eu também ando captando uma “energia ruim” no ar (IMPORTANTE: aqui ‘energia’ nada tem a ver com o conceito físico, é apenas uma maneira de falar, por favor!), que não está me agradando. Quero ficar bem para cuidar de mim, dos meus filhos e do meu marido. Quero ficar bem pra viver, aproveitar a vida com amigos e familiares. Eu acredito que estando bem eu posso irradiar algum otimismo ou esperança e acho que vocês entendem o que quero dizer.

Comecei a notar que por força do hábito e por curiosidade, eu estava checando demasiadamente minha timeline do Twitter. Comecei a ver muita coisa que me desagradava, muito ódio e muita ignorância. Não diretamente por parte das pessoas que sigo, pois procuro selecionar bem quem sigo (e a galera é 10), porém muitas dessas pessoas que sigo tem um costume muito ruim ao meu ver: elas compartilham tweets ou prints de outras redes sociais cheios de ignorância para comentá-los. E eu, Samantha, não quero ter acesso a esse tipo de conteúdo idiota. E eu acho que compartilhar esse tipo de coisa faz com que a gente dê visibilidade para quem não merece.

Outra coisa que tem me irritado (é um pet peeve na verdade e eu acho que pode ter a ver com a minha idade rs) é ver pessoas muito novas, que mal saíram da adolescência, dando conselhos de sabedoria sobre a vida. Confesso que as vezes acho engraçadinha a ingenuidade com toques de arrogância e penso que aquelas pessoas vão se achar idiotas daqui alguns anos – I’ve been there. Mas depois penso que não quero ler nada daquilo, porque eu acredito que a gente nunca sabe nada sobre a vida, mesmo vivendo 80 anos. E acredito também que certos conselhos e opiniões são muito particulares, relativos à vivência mesmo e cada uma tem a sua. Claro que aqui não me refiro a opiniões preconceituosas, isso é ignorância e maldade mesmo.

Percebi então que ver a timeline do Twitter toda hora estava me chateando e estava me fazendo perder meu tempo. Decidi ao menos desinstalar o app do celular para ajudar na desintoxicação. Meu objetivo a médio prazo é entrar no Twitter apenas para compartilhar textos do Meteorópole ou interagir com alguma @ mais “tranquila”, digamos assim. Foi a fórmula que escolhi para viver bem nesse mundo confuso e revoltado: é o meu refúgio. Percebi que várias @ que sigo decidiram agir de maneira semelhante. Algumas simplesmente sumiram ou passaram a escrever menos na rede, enquanto outras falaram sobre seu descontentamento declaradamente.

Talvez cada rede social tenha um “tempo de vida”, uma duração específica. Será que o Twitter  está atingindo seu declínio ou será que são sintomas momentâneos, particulares desse momento que estamos vivendo? Não sei, porém me afastar está sendo uma importante decisão que tomei.

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4 Comentários

  1. Não desinstalei, mas tirei todas as notificações. Nada mais chega. Só ligações e o WhatsApp por causa da minha mãe. E silenciei todas as palavras referentes a c e r t o s candidatos por aí. Infelizmente os prints são uma praga. Acham que não influencia, mas acaba tendo influência sim. Eu sei que muita coisa emputece a gente, mas em nome da saúde mental e da TL limpinha eu tô silenciando um monte de gente. Isso garantiu uma TL onde chega apenas o que eu quero mesmo ver.

  2. Eu estou tentando fazer “as pazes” com o Twitter, hahaha. Como você, hoje mesmo silenciei várias palavras referentes a c e r t o s candidatos. Está mais ou menos funcionando, as vezes acho que nunca vou dar conta. Mas pela minha sanidade e qualidade de vida, acho que vou manter o app desinstalado do cel por um bom tempo!
    Fiquei contente de receber seu comentário (sempre fico!), ainda mais porque é bacana ver que tem mais gente descontente.
    Abraços

  3. Ainda não desinstalei o app do Twitter, mas já perdi a conta de quantas pessoas bloqueei e palavras que silenciei. Estou tentando ser mais seletiva nos posts também. Não quero tumultuar a TL de ninguém. Sobre tempo de vida de uma mídia social, senti isso primeiro em relação ao facebook. Fiquei um tempo sem conta lá e mesmo quando voltei o aplicativo não foi instalado no celular.

  4. Nossa, eu também bloqueei pessoas, silenciei várias palavras, etc. Daí decidi desinstalar o Twitter. O bom do Twitter é que sigo muita gente engraçada, interessante e que compartilha informações legais. Só que muitas vezes, essas mesmas pessoas acabam “reverberando” porcaria. Sei que não fazem por mal, citam certas pessoas ou assuntos com o intuito de comentar e mostrar o quanto estão indignadas. Mas como sou da postura de quem prefere realmente nem comentar certas pessoas, eu acabo me chateando e acaba me fazendo mal.
    Acho que meu caminho vai ser naturalmente usar cada vez menos as redes sociais.

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