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Fake news na Meteorologia

As Fake news (notícias falsas) são um assunto muito discutido e eu diria que demorou para começarmos a falar sobre o assunto de maneira mais ampla. Desde os primórdios da popularização da internet, já existiam os boatos espalhados por correntes de e-mail. Eu consultava muito os sites 4 cantos e e-farsas para verificar histórias que chegavam até mim. Hoje, além desse site, há outras opções de agências de verificação de fatos (veja aqui algumas).

Lá nos primórdios da internet se naquele tempo se usava muito o termo boato, porque se assemelhava com um boato de vizinhança, aquilo que foi ouvido de uma pessoa que ouviu de outra. Atualmente há sites, canais e blogs bem estruturados e que servem à interesses muito bem definidos e que dão uma roupagem de noticiário ou de coluna de notícias aos boatos. Deliberadamente, essas pessoas também criam boatos com finalidades muito bem definidas. Em outras palavras, a produção visual é boa e a redação da lorota é bem feita, o que de fato pode convencer algumas pessoas por se assemelhar a uma notícia real, por isso a expressão fake news.

No entanto, boatos de internet ou fake news não são algo da atualidade. Boatos sempre existiram, sendo espalhados para prejudicar a imagem de pessoas ou grupos ou para servir a interesses políticos ou econômicos. Algumas pessoas ainda encontram um prazer macabro em criar e espalhar boatos e outros desavisados simplesmente compartilham boatos porque acreditam na história ou mesmo que não acreditem, compartilham seguindo a infeliz ideia que ‘se for verdade, fiz minha parte’.

Com o aumento do número de acessos à internet, principalmente nos últimos anos com a popularização dos smartphones, espalhar fake news se tornou muito fácil. Há fake news sobre todos os assuntos: política, educação, saúde e diversas áreas do conhecimento: claro, chegou na Meteorologia também. Ano passado eu falei sobre isso quando contei sobre uma fake news que dizia que nevaria em São Paulo. Também falei sobre a importância de consumir informação de qualidade nesse texto. No começo do ano, o INMET precisou compartilhar um alerta sobre uma fake news que estava se espalhando no WhatsApp e dizia que haveria uma onda de calor fortíssima.

Eu penso que com as notícias assustadoras a respeito das mudanças climáticas, as pessoas ficam mais susceptíveis e acreditam em notícias terríveis sobre fenômenos catastróficos. Com a maior frequência de secas intensas, ondas de calor e tempestades severas, nosso cérebro já acende um alerta e tende a acreditar em tudo que corrobore esse cenário catastrófico. Entretanto, nós não podemos desligar nosso radar cético.

Se você receber alguma informação extraordinária sobre fenômenos meteorológicos, verifique a veracidade dela nos sites oficiais de Meteorologia do governo brasileiro, como o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) ou o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Para leitores de outros países lusófonos, temos:

  • Portugal: IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera)
  • Angola: INAMET (Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica)
  • Moçambique: INAM (Instituto Nacional de Meteorologia)
  • Cabo Verde: INMG (Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica)

O que quero dizer é: procure o serviço meteorológico oficial de seu país para confirmar se a informação meteorológica assustadora que você recebeu por WhatsApp é verdade. Pode ser que a informação seja parcialmente verdadeira, tendo sido exagerada por alguém sabe-se lá por qual motivo. Se não encontrar a informação no site, procure um telefone, uma rede social ou um e-mail na página oficial do órgão e entre em contato. Verifique também nos sites que mencionei anteriormente, que fazem o chamado fact checking (verificação dos fatos).

Sabe aquela história de que se é bom demais pra ser verdade, melhor questionar? Então, se for ruim demais pra ser verdade, questione também. A IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions) criou um infográfico muito bom com dicas para identificar notícias falsas:

Acredito que é importante que o assunto fake news seja tratado em todas as disciplinas escolares. Os próprios alunos muitas vezes trazem esses boatos na aula e o professor deve ouvir, acolher e conversar sobre o assunto. Como o próprio infográfico da IFLA coloca, nossos valores muitas vezes nos atrapalham na identificação de uma fake news. Um ambiente escolar é muito diverso em valores e opiniões e é preciso manter uma escuta acolhedora e um debate amistoso, com criação de vínculos.

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