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Importantes informações sobre a emissão de CO2 na produção de energia

Poluição industrial. Créditos: Credit: ©Martin Muránsky | Shutterstock.com | GPC

Em um post anterior, falei sobre o aumento das emissões de CO2 nos anos de 2017 e 2018 e deixei claro o quanto isso é desanimador. O aumento da demanda por energia elétrica é o maior responsável por esse aumento. Embora esforços tenham sido feitos para implantar formas de produzir energia renovável (como a eólica ou a solar), esses esforços ainda não são suficientes. Ao invés da energia eólica ou solar substituírem alternativas poluentes, elas estão atuando paralelamente. Ou seja, a demanda por energia elétrica tem crescido muito e os esforços de substituição parecem não estar sendo suficientes.

Para escrever o post anterior, tive acesso a muitos dados do Global Carbon Project (GPC) que são facilmente obtidos no site do projeto. Há inclusive releases para a imprensa e outros materiais que podem ser utilizados didaticamente. A partir do site do GPC, baixei alguns gráficos para discutirmos e falarmos sobre o aumento das emissões de CO2 no ano de 2018 (e compará-las com os anos anteriores) e aqui nesse post me refiro especificamente às emissões de CO2 dentro do processo de produção de energia elétrica.

Dentro do site do GPC encontrei essa página do CICERO (Center for International Climate Research, sediado na Noruega). A página que encontrei é um repositório das figuras apresentadas no Global Carbon Budget 2018. As informações sobre as figuras estão todas disponíveis em Le Quéré et al. 2018 e nesse post vou apresentar algumas figuras que contém dados muito relevantes para discutirmos.

Vamos começar com a Figura 1, que apresenta as emissões globais de CO2 desde 1960 até 2017 setorizadas: produção de cimento, queima de gás, queima de óleo, queima de carvão. Conforme mencionei no post anterior, houve uma redução do uso de carvão (linha marrom da Figura 1) e portanto houve uma redução das emissões de CO2 associadas à queima de carvão nos últimos 3 anos. No entanto, as emissões relacionadas com a queima de óleo, gás e produção de cimento ainda continuam em elevação (Figura 1). A Figura 1 também foi destaque nessa ótima reportagem do The Conversation, onde é destacada a “surpresa” pelo crescimento de emissões de CO2 do uso de carvão nos anos de 2017 e 2018, após um aparente pico em 2013 e redução desde este ano. No entanto, as emissões em 2017 ainda mostraram-se 3% abaixo do recorde de 2013. As maiores contribuições nacionais para o crescimento das emissões de carvão vieram da China e da Índia, enquanto o maior declínio nas emissões de carvão foi nos Estados Unidos, onde mais de 250 usinas a carvão fecharam desde 2010 e espera-se que mais sejam fechadas nos próximos cinco anos {x}.

 

Figura 1:Emissões globais de CO2 desde 1960 até 2017  setorizadas: produção de cimento, queima de gás, queima de óleo, queima de carvão.

 

Outro gráfico interessante do GCP trata do consumo de energia entre os anos de 2000 e 2017 (Figura 2). É interessante observar na Figura 2 como as Energias Renováveis apresentaram um aumento bem consistente nesses últimos 17 anos. Ou seja, é uma revolução na maneira de se produzir energia! E essa revolução inclusive gerou empregos para os meteorologistas. Muitos colegas meus trabalham com energia eólica, atuando no mapeamento de áreas onde a instalação de turbinas eólicas é economicamente viável. Houve um aumento de 13,9% no uso de energia de fontes renováveis e essa é a revolução que me refiro. O grande desafio no entanto é fazer com que as energias renováveis substituam as outras fontes de energia e dessa maneira poderemos reduzir as emissões de CO2 relacionadas com produção de energia de um modo geral. E claro, é importante não fecharmos os olhos e acharmos que as energias renováveis são completamente limpas e completamente boas para o ambiente. Na verdade, como sempre digo aqui no blog, não há maneira de se produzir energia sem um custo ambiental.

Entretanto, conforme mencionei anteriormente em outro post, houve uma tendência de aumento do consumo de energia nos últimos anos. Até a Energia Nuclear, que apresentou um declínio no começo dos anos 2000 até os anos 2010, apresentou uma leve tendência de aumento nos últimos anos. O carvão, que tanto mencionamos ao longo do texto, apesar de ter apresentado uma tendência de aumento nos últimos 2 anos, desde 2013 até 2016 apresentou uma tendência de queda (Figura 1).

Muitas usinas nucleares fecharam na Europa e isso contribuiu para o declínio no uso desta fonte de energia, ao menos até o ano de 2010, porém depois houve um aumento. A Energia Nuclear é muito controversa: ao mesmo tempo que praticamente não emite CO2 e outros gases de efeito estufa, ela emite resíduos nucleares que demoram muitos e muitos anos para deixarem de ser radioativos.

A Energia Hidrelétrica, que também não emite diretamente gases de efeito estufa para a atmosfera, apresentou um crescimento de 2,0% nos últimos anos. Essa maneira de produzir energia é muito importante para o Brasil, correspondendo a  83,2 % de toda nossa matriz energética {x}. Bom, como toda maneira de se produzir energia, de alguma maneira o meio ambiente será afetado. No caso das hidrelétricas, temos o alagamento de grandes área para a construção do sistema de lagos e desmatamento para a instalação de toda infraestrura e isso faz com que gases de efeito estufa acabem sendo emitidos ou deixem de ser armazenados pelas plantas. Além dessas questões, muitas vezes é necessário deslocar populações ribeirinhas ou indígenas que possuem um estilo de vida secular relacionado com aquela área e que muitas vezes tem uma ligação muito forte com aquela terra. Basta lembrarmos do exemplo relativamente recente de Monte Belo para pensarmos em todas essas controvérsias da instalação de centrais hidrelétricas.

A Energia Hidrelétrica é tão importante para o Brasil que somos o segundo país do mundo em produção total dessa fonte de energia. Quero dizer, na Noruega, 98,5% da energia elétrica gerada no país todo é proveniente de hidrelétricas (está em primeiro lugar na lista), enquanto no Brasil corresponde a 83,2% (está em segundo lugar na lista). Os dados são do IEA e foram publicados nesse documento da ANEEL. Como comparação, os EUA produzem apenas 7,4% de sua energia elétrica a partir de hidrelétricas (sim, mesmo com Represa Hoover e tudo).

 

Figura 2: Consumo de energia entre os anos de 2000 e 2017. O gráfico mostra 6 grupos, sendo respectivamente: carvão, óleo, gás, energia nuclear, hidrelétrica e outras renováveis.

Para mais gráficos tratando do uso de energia per capta (em diversas regiões do mundo) e sobre outras questões envolvendo a emissão de gases de efeito estufa, consulte esse link. O link que apresentei possui um rico material para ser utilizado em aulas sobre o tema e eu voltarei a destacar gráficos desta fonte para discutirmos aqui no blog.

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Saiba mais

Quer entender melhor o que são os gases de efeito estufa e o que é o aquecimento global? Há alguns meses, fiz uma série de 3 episódios sobre o Aquecimento Global, falando de maneira geral do que se trata:

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